sexta-feira, 30 de janeiro de 2026
Relatório 2017/2018
INICIATIVAS da Mulher Migrante - Associação de Estudo Cooperação e Solidariedade
2017 – SETEMBRO / OUTUBRO
I. “PORTUGAL BRASIL - A DESCOBERTA CONTÍNUA”
A segunda edição do evento “ Portugal-Brasil a descoberta contínua”, em parceria com a Cooperativa Árvore e Hotel Porto Cruz, teve lugar no auditório do Espaço Porto Cruz, em Vila Nova de Gaia, com o alto patrocínio do Senhor Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas.
Uma vez mais a AMM quis celebrar a data da chegada dos Portugueses ao Brasil e das relações que ligam estes dois povos com tanta história em comum. Uma iniciativa que pretende sublinhar as relações fraternas entre Portugal e Brasil e, ao mesmo tempo, repensar a importância na expansão do mundo da lusofonia no século XXI.
SESSÃO DE ABERTURA
8 de setembro - Vila Nova de Gaia
. INAUGURAÇÃO DA EXPOSIÇÃO DE PINTURA
. CONFERÊNCIAS
A sessão de inauguração, em oito de setembro de 2017, constou de uma conferência pelo Professor Dr. Salvato Trigo, Reitor da Universidade Fernando Pessoa, com o tema "Da descoberta da mátria aos equívocos da pátria: ou de como se reinventa a história das relações luso-brasileiras". A historiadora Dra. Maria do Carmo Serén, apresentou o tema "Dois brasileiros no Porto - Encontros e Desencontros de José Bonifácio de Andrada e Silva e D.Pedro I".
Foi também dada enfase à arte com a inauguração da exposição de artistas portugueses e brasileiros na sala de exposições do Porto Cruz, exposição comissariada por Constância Nery.
Vinte e seis obras, de vinte e seis artistas plásticos, portugueses e brasileiros, com representação de temas livres e também temas relacionados com as tradições e costumes de Portugal e de outros povos.
2. COLÓQUIO DE ENCERRAMENTO
A sessão de encerramento aconteceu no dia 14 de Outubro de 2017 tendo um programa diversificado do qual se destaca, as comunicações de:
- JOAQUIM MATOS PINHEIRO, Presidente do Elos Club do Porto, com a comunicação “D. PEDRO IV E AS SUAS QUATRO COROAS.”
- DANYEL GUERRA, com o tema " LUSOS ILUSTRE NO CINEMA BRASILEIRO–A OUTRA CARMEN E O PORTUGUÊS DA CINEMODA"
- ARCELINA SANTIAGO com a apresentação de algumas notas sobre "MARIA ARCHER, UMA PORTUGUESA DO BRASIL” seguido de dramatização, segundo um guião da sua autoria, por duas alunas MARIANA PATELA e CÍNTIA SOFIA RIBAS SILVA “ Entrevista imaginária a Maria Archer”.
- MARIA MANUELA AGUIAR fez a intervenção final onde homenageou RUTH ESCOBAR, portuguesa do Porto, que no Brasil foi uma grande atriz de teatro, a primeira mulher eleita deputada à Assembleia do Estado de São Paulo e a primeira representante do Brasil nas Nações Unidas, para o acompanhamento da Convenção contra todas as formas de discriminação da Mulher.
A sessão foi moderada pelo Prof Doutor FRANCISCO SILVA, diretor da Cooperativa Árvore
3. DEBATE SOBRE "JORNALISMO PARA A PAZ" e APRESENTAÇÃO DE LIVROS DA "JORNALISTA PARA A PAZ" ADELAIDE VILELA
Fundação PRO DIGNITATE
Lisboa, 16 de outubro
A AMM tem, ao longo de quase 25 anos de percurso, lançado, ciclicamente, o debate sobre a imagem e sobre o papel das mulheres, e em especial, das migrantes nos "media" portugueses, sem esquecer os das comunidades. Neste retomar do tema, foi a problemática da paz que esteve no centro das preocupações, como fora um dos últimos programas de ação da Fundação PRO DIGNITATE, em que muito se envolveu a Drª Maria Barroso, agora continuado pelo Dr. António Pacheco, que, ali, o apresentou para o debate, que ocupou a jornada..
A presença, em Lisboa, da jornalista Adelaide Vilela, há muitos anos radicada em Montreal, foi uma oportunidade para partilhar a sua experiência como mulher imigrada, envolvida na luta pela paz entre gente de todas as origens, nacionalidade, culturas, religiões.
Adelaide Vilela foi retornada de África, em 1975, antes de partir para o Canadá, onde estudou jornalismo e trabalhou na imprensa escrita, rádio e televisão, não só a nível da comunidade, como em programas da RTPI, na realização e interpretação de filmes. A sua vida tem decorrido em quatro continentes, da África à Europa, da América do norte à América do sul, para onde viaja com frequência e onde a sua obra literária tem sido reconhecida e premiada.
Aderiu, pois, naturalmente, ao projeto de um jornalismo ao serviço da paz, no qual também a AMM manifestou interesse em colaborar
No debate participaram ativamente associados da AMM, incluindo a representante no Canadá, Profª Doutora Manuela Marujo
4. CONGRESSO INTERNACIONAL - Migrações e Relações Interculturais na Contemporaneidade
Lisboa, 27 e 28 de outubro, Fundação Gulbenkian
Organizado pelo CEMRI/UAB e FCT, o Congresso foi presidido na Sessão de Abertura pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros, Prof Augusto Santos Silva e a Conferência de Abertura esteve a cargo do Prof João Relvão Caetano (CEMRI/UAB
Os trabalhos decorreram em sete mesas redondas e foram encerrados com uma Conferência da Profª Natália Ramos (CEMRI/UAB).
Maria Manuela Aguiar representou a AMM na II Mesa Redonda - Mulheres, Migrações e Diásporas, tendo apresentado um resumo escrito e feito uma comunicação oral sobre "As Mulheres na história das Comunidades Portuguesas e das políticas públicas para a emigração"
MARIA MANUELA AGUIAR (Ex. Secretária de Estado da Emigração e das Comunidades Portuguesas; Associação Mulher Migrante)
Resumo
As migrações portuguesas começam como uma aventura masculina, onde o sexo feminino só excecionalmente tem lugar. As primeiras políticas públicas neste domínio são de limitação ou condicionamento dos fluxos migratórios masculinos, quase sempre considerados excessivos, e de proibição da saída de mulheres, em regra, vista como contrária aos interesses do País. Ao longo dos tempos, centenas de milhares de homens e também um número crescente de mulheres, que querem juntar-se aos maridos ou aos pais, ou mesmo partir com eles, vão ultrapassar todos os obstáculos para alcançarem o "novo mundo". É com a chegada das mulheres e a reunificação das famílias que nascem as comunidades de cultura portuguesa, mas o seu papel, ainda que matricial, é escassamente visível e reconhecido e a sua participação obedece à divisão tradicional de trabalho entre os sexos, no associativismo, como no núcleo familiar. Os movimentos feministas descuram a emigração e são raras e extraordinárias as organizações femininas de entreajuda até meados do século XX - caso do movimento mutualista feminino da Califórnia. Após a revolução de 1974, a Constituição de 1976 vem proclamar a igualdade entre Mulheres e Homens e estabelecer a inteira liberdade de emigrar. As políticas públicas, que, até início da década de 70, se restringem à proteção dos emigrantes na viagem de ida e os abandonam nas terras de destino, evoluem para a defesa dos direitos dos cidadãos e tomada de medidas de apoio social e cultural, e para o reconhecimento do papel do movimento associativo, Todavia, só uma década depois, no quadro de funcionamento do Conselho das Comunidades Portuguesas - quase 100% masculino - se dá o primeiro passo para a prossecução de políticas com a componente de género, com a convocatória do "1º Encontro Mundial de Mulheres no Associativismo e no Jornalismo".(em junho de 1985). Mais de trinta anos decorridos sobre esse histórico Encontro Mundial, qual o balanço da ação da sociedade civil e do Estado no campo da igualdade de género nas comunidades do exterior? Eis o que nos propomos abordar.
-No Congresso, representado diversas instituições, estiveram outros membros da AMM - Maria Beatriz Rocha Trindade (CEMRI/UAB), Manuela Marujo (U Toronto) , Ana Paula Beja Horta (CEMRI/UAB), António Pacheco (Fundação PRO DIGNITATE)
5. LANÇAMENTO DOS LIVROS "ROSTOS DA EMIGRAÇÃO"/ "VISAGES DE L' ÉMIGRATION" de TENREIRA MARTINS
Luxemburgo, 29 de outubro
A convite do Instituto Camões, Maria Manuela Aguiar, que escreveu o prefácio da publicação, nas duas línguas, deslocou-se ao Luxemburgo e fez, juntamente com o Padre Melícias Lopes a sua apresentação.
O Autor foi, durante muitos anos, Assistente Social e Chefe dos Serviços Sociais, em Bruxelas, e o livro é obra de ficção moldada na realidade. Os rostos são os dos portugueses de uma geração de imigrantes na Europa, que teve dificuldades de adaptação, e, na maioria dos casos, as superaram. Porém, nem todos o conseguiram, ao menos, em certas fases de um processo continuado. E é destes que trata, num português de grande qualidade literária, Tenreira Martins. Retratos realistas e, de algum modo, como disse Maria Manuela Aguiar, também um auto-retrato do Autor, numa missão a que se dedicou por inteiro. E, por isso, cada um dos contos, nos leva para dentro do Gabinete dos Serviços Sociais de Bruxelas, igual a outros que existiam, junto a muitos consulados e nos dá a dimensão do papel que desempenharam.
Em tempos de recomeço de êxodo migratório, este livro leva-nos a questionar a ausência atual de formas de apoio, que deram corpo às primeiras políticas públicas de emigração, surgidas nas vésperas da revolução de 1974 e, depois, continuadas e desenvolvidas. Um dos múltiplos motivos de interesse que nos oferece é, assim, o de motivar o debate sobre o passado próximo e o presente das migrações portuguesas..
NOVEMBRO
6. XXIX ENCONTRO DAS COMUNIDADES PORTUGUESAS E DE LUSO- DESCENDENTES DO CONE SUL
Em Homenagem ao ENG.ª JOSÉ LELLO
e XV SEMINÁRIO CULTURAL "DIÁSPORA E ASSOCIATIVISMO:PATRIMÓNIO, CULTURA E HERANÇA!
Colónia de Sacramento, Uruguai, 4 e 5 de novembro,
A entidade organizadora foi a Casa de Portugal de Montevideo, que tem, pela primeira vez, a presidência de uma mulher, a jovem Viviana Valente, e cinco mulheres entre os sete membros da Diretoria. O Comendador Luís Panasco Caetano, representante da AMM no Uruguai, antigo Conselheiro do CCP, desempenhou, igualmente, um papel central na preparação e concretização de um evento que teve o esperado sucesso, com centenas de participantes e um grande apoio das Autoridades do Uruguai (Intendente de Colónia) e de Portugal (Secretário de Estado e Embaixador de Montevideo)
Além do atual Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas José Luís Carneiro, dois antigos Secretários de Estado da mesma pasta, José Cesário e Maria Manuela Aguiar, estiveram presentes na homenagem a José Lello, amigo e colega, cujo trabalho, empenho, simpatia e proximidade, as comunidades não esquecem.
No Seminário Cultural, a 4 de novembro, Maria manuela Aguiar participou na qualidade de fundadora e dirigente da AMM, apresentando uma comunicação sobre a "Internacionalização do movimento associativo português", começando por dar uma visão comparativa da situação dos outros grandes países de emigração europeus desde início de novecentos, em que o caso de Portugal (ausência de relacionamento internacional entre comunidades) é uma exceção à regra, analisando as tentativas de combater este fenómeno:
- primeiramente, a organização pela Sociedade de Geografia (presidida pelo Prof Adriano Moreira) dos Congressos das Comunidades de Cultura Portuguesa, em 1964 e 1967, e a criação da União das Comunidades de Cultura portuguesa, que teve vida efémera por oposição do regime político, a partir de 1968.
- a segunda tentativa parte do Estado, não da sociedade civil, embora pretenda mobilizá-la, para que organize autonomamente um movimento mundial. O Governo cria e põe em funcionamento o Conselho das Comunidades Portuguesas, órgão consultivo, eleito pelo universo associativo, que se esperava pudesse dar impulso à federalização dos movimentos associativos de todos os continentes, para além de cumprir os outros objetivos de representação e audição da "Diáspora".
Ao CCP associativo (1980/88), sucedeu o atual (desde 19996), eleito por sufrágio universal (logo, mais um "conselho de emigrantes" do que de comunidades), mantendo essencialmente o seu perfil consultivo, sem lograr o impulso da internacionalização do associativismo, tão fraco a este nível, quanto é poderoso a nível de cada região ou país.
Manuela Aguiar salientou como exemplos de internacionalização, no caso português, as "Academias de Bacalhau" (com semelhanças e diferenças com o movimento rotário, por exemplo) e a AMM, que procura reunir mulheres e homens de todos os continentes pela causa da Igualdade. São, porém, formas novas de um fenómeno antigo, sem a base patrimonial em que cresceu o associativismo tradicional, com enorme pujança, país a país. Dentro deste movimento, o melhor exemplo de diálogo internacional é constituído pelo original paradigma dos "Encontros do Cone Sul", que reúnem, portugueses do Sul do Brasil, Argentina e Uruguai. Do seu início como tertúlia e torneio de "sueca" (que perdeu o exclusivo mas se mantém), evoluiu para a sua vertente cultural, com a exibição de grupos folclóricos de todas as comunidades envolvidas e com os "Seminários", que atraem grandes nomes da vida cultural e política . A terminar, Manuela Aguiar deixou a pergunta; como promover a generalização deste paradigma?.
Durante o convívio que o Encontro permitiu, o Secretário de Estado Mestre José Luís Carneiro manifestou interesse em novas colaborações com a AMM, muito em especial para a preparação de um grande congresso mundial de mulheres da Diáspora portuguesa, no ano seguinte.
DEZEMBRO
7. PARTICIPAÇÃO NO CONGRESSO MUNDIAL DOS EMPRESÁRIOS PORTUGUESES
Viana do Castelo, 16 de dezembro
No Congresso, organizado pela SECP, havia um número significativo de mulheres, que se aproximava dos 30%, pelo que por sugestão da AMM. aceite pelo Senhor Secretário de Estado foi, durante a sessão de trabalhos do dia 16 apresentada a ideia da realização de um grande fórum de mulheres portuguesas, para um ponto de situação e para concertação de estratégias para a igualdade, em vários domínios, como o empresarial, o cultural, o político, o associativismo, o voluntariado.
O facto de a ideia ter surgido no final do ano tornou-se um obstáculo à procura de meios de suporte da iniciativa, que na sua dimensão global, teve de ser adiada para 2019. Porém, sem prejuízo, de procurar, em paralelo com o Congresso Mundial de Empresários, promover, em dezembro de 2018, um primeiro Encontro sobre empreendedorismo feminino.
Maria Manuela Aguiar esteve na referida sessão de 16 de dezembro, tendo apresentado às congressistas, conjuntamente com o Senhor Secretário de Estado, as grandes linhas do projeto. E aproveitando para recordar que Viana do Castelo fora a cidade que, em 1985, acolhera o 1º Encontro de Mulheres Portuguesas no Associativismo e no Jornalismo, que marca o início das políticas públicas para a igualdade na emigração e que, por sinal, foi uma iniciativa pioneira, a nível europeu (e universal!).
De salientar que a AMM nasceu para concretizar o mais importante projeto saído desse Encontro: a criação de uma associação internacional de mulheres portuguesas.
2018 - JANEIRO
8. COLÓQUIO em NOVA YORK - A MEMÓRIA COMO HERANÇA
20 de janeiro
Mineola, Câmara Municipal
O colóquio foi uma organização do Consulado - Geral de Portugal, em parceria com a "Mulher Migrante, Associação de Estudo, Cooperação e Solidariedade" e as Escolas Comunitárias da área consular de Nova York, e realizou-se em instalações do município de Mineola.
De manhã, o debate centrou-se no ensino de português, reunindo professores de diferentes escolas e outros membros da comunidade escolar. De tarde, foi a presença portuguesa na América, em diversos domínios, que esteve no centro das intervenções e do diálogo, que envolveu numerosos participantes.
A jornada terminou com um jantar de confraternização no Centro Português de Mineola em que centenas de portugueses prestaram homenagem à Cônsul- Geral, e em que a"Mulher Migrante" esteve representada por Manuela Aguiar, que se deslocou expressamente de Portugal, e por Maria João Ávila, Coordenadora da "Mulher Migrante" nos EUA, e membro da direção da AMM e antiga deputada da emigração.
Por trás do sucesso do colóquio, esteve a experiência, criatividade, a energia da Cônsul-Geral, emotivamente homenageada no jantar da comunidade, que reuniu centenas de portugueses, entre eles os mais destacados políticos luso-americanos, e dirigentes associativos, mulheres envolvidas na intervenção cívica e política, como Maria João Ávila. Todos enalteceram o seu trabalho em NY, nos últimos três anos. Fica uma frase, que sintetiza o "leit-motiv" dos diversos discursos: "nunca mais teremos ninguém como ela!".
Manuela Aguiar citou Mariano Gago e Onésimo de Almeida, que no prefácio ("a quatro mãos") de uma publicação de Manuela Bairos escreveram que "era preciso cloná-la no MNE". Em 225 anos de existência do consulado de Nova York, Manuela Bairos foi a primeira mulher a exercer o cargo.
Programa do Colóquio:
10.00 – 11.30 ENCONTRO COM PROFESSORES DAS ESCOLAS COMUNITÁRIAS
Moderador: Dr José Carlos Adão
1. Coordenador-Adjunto de Ensino - Dr José Carlos Adão
“A língua portuguesa como língua de herança”
As escolas comunitárias como suporte da herança portuguesa e da identidade luso-americana
2. Consul-Geral Drª Manuela Bairos
Projecto escolar: entrevista dos alunos aos avós sobre as suas histórias de emigração
3. Período de interação com professores e diretores das Escolas comunitárias
4. Presidente da AG da "Mulher Migrante" Drª Manuela Aguiar
O papel dos professores e dos alunos, das famílias na defesa do património da língua de herança e da cultura portuguesa
11.45-1300 Debate
13.00 – 14.00 (almoço)
IDENTIDADE LUSO-AMERICANA COMO HERANÇA PORTUGUESA
14.30 – 15.00
Apresentação da convidada Manuela Aguiar de honra e do programa da tarde pela Cônsul-Geral
Um projeto para o diálogo do movimento associativo português no mundo
15.00 – 15.45
Identidade de origem portuguesa
Moderador: Paulo Pereira
Josh Mendes (jewish)
Diane Macedo
Manny Frade
16.00 – 16.45
Participação cívica e associativismo
Moderador: Agostinho Saraiva
Felisbela Ferreira
Anália Beato/Amélia Gonçalves
Bruno Machado
17.00 – 17.45
Afirmação profissional
Moderadora: Paula Mendes
Amelita Moreira
Srª Martins
Tony Castro
Luís Tormenta
18.00 – 18.45
Participação política
Moderadora: Maria João Ávila
Rosa Rebimbas
Paulo Pereira
Maria Araujo Khan
Jack Martins
Janice Duarte
19.00 Jantar no Mineola Portuguese Center
9 - MONTREAL (a desenvolver)
28 de março
Comemoração do Dia Internacional da Mulher, organizado pelo jornal LUSO PRESSE, e homenagem a MARIA BARROSO
Programa
8 - 27 de março
Lançamento dos livros de Adelaide Vilela "Magma de Afetos e "Olhos nas Letras" (poesia)
Manuela Aguiar, que prefaciou o do livro de poesia, destacou o perfil de intervenção da autora na sua comunidade, que tem um notabilíssimo curriculum como jornalista e como defensora da língua e do ensino de português - preocupações largamente dominantes entre as mulheres portuguesas
ABRIL
10 . Portugal / Brasil - a descoberta continua, a partir de Monção
A terceira edição desta iniciativa aconteceu a 20 abril de 2018 na EPRAMI (Escola Profissional do Alto Minho Interior) em Monção.
A AMM teve como parceiros: Câmara Municipal de Monção, Casa Museu de Monção da Universidade do Minho, EPRAMI , Universidade Sénior de Monção, Agrupamento de Escolas de Monção, Jornal As Artes entre Letras, jornal A Terra Minhota, Centro de Formação Vale do Minho.
O Colóquio "Portugal/Brasil - a Descoberta contínua, a partir de Monção " pretendeu celebrar o momento histórico em que Pedro Álvares Cabral avista terra do Brasil, onde é hoje Porto Seguro, a 22 de abril de 1500. Foi essa a data que o Senado Brasileiro aprovou como "Dia da Comunidade Luso Brasileira" - iniciativa que viria a ser ratificada por Portugal. A efeméride é celebrada em todo o Brasil, com grande empenho dos Portugueses, mas passa quase despercebida em Portugal.
Esta iniciativa teve o Alto Patrocínio do Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas.
Investigadores/as, professores, estudantes, decisores políticos, interessados/as nesta temática, foram desafiados a participar neste colóquio e torná-lo num momento de debate e reflexão em torno da história da emigração, da cidadania e da lusofonia que ganha agora novo incentivo através da decisão legislativa que visa reforçar o estudo da emigração, fazendo-se jus a esta parte importante da história do povo português. Dar-se-á especial ênfase às questões da Igualdade e relevo a mulheres e homens da diáspora lusa com cunho minhoto.
Da Comissão Científica faziam parte: Graça Guedes, Professora Catedrática Aposentada da Universidade do Porto; José Viriato Capela, Professor Catedrático da Universidade do Minho e Presidente da Casa Museu de Monção da UMInho; Alexandra Esteves, Professora Auxiliar da Universidade Católica, Pólo de Braga
Do Programa constavam dois painéis:
O 1º, intitulado DIMENSÕES DO POLIEDRO DA EMIGRAÇÃO abordou os seguintes temas: A Emigração de Viana do Castelo para o Brasil (1929-1950) a partir dos livros de registo de passaporte- por Rui Miguel Pires, Mestre em Relações Internacionais - Universidade Lusíada do Porto; Ateliês da memória - Monçanenses pelo mundo por Francisco Alves, Diretor do jornal local A Terra Minhota e Arcelina Santiago, Mestre em Ciências Sociais Políticas e Jurídicas - Universidade de Aveiro; Trajetória literária de Maria Ondina Braga por Isabel Cristina Mateus, Professora Auxiliar do Departamento de Estudos Portugueses e Lusófonos do Instituto de Letras e Ciências Humanas (ILCH) da UMinho; Maria Archer, uma portuguesa no Brasil . Entrevista Imaginária a Maria Archer pelos alunos da EPRAMI - Beatriz Lopes e Pedro Cerqueira; História de uma Vida - entrevista a Carlos de Lemos, Cônsul Honorário de Portugal em Melbourne por alunos das escolas de Monção.
A moderação esteve a cargo de Nassalete Miranda, Diretora do Jornal As Artes Entre as Letras
No 2º painel, intitulado EMIGRAÇÃO E CIDADANIA, foram apresentadas as seguintes comunicações: Os “brasileiros” no norte de Portugal no século XIX: marcas de uma presença e histórias de vida “ por Alexandra Esteves, Professora Auxiliar da Universidade Católica, Pólo de Braga; Capitão general João Pereira Caldas. De Monção para o Grão Pará – Um “migrante” ao serviço do Rei por Ernesto Português, Investigador/Colaborador do Centro de História da Universidade de Lisboa;
"Monçanenses no Brasil" por José António Barreto Nunes, Juiz Conselheiro e colaborador do jornal A Terra Minhota; Cidadania Luso- Brasileira: Tratado de Igualdade Portugal- Brasil a "questão da reciprocidade" - homenagem a Ruth Escobar por Manuela Aguiar, ex-Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas Emigração, Presidente da Assembleia Geral da Mulher Migrante - Associação de Estudo, Cooperação e Solidariedade.
A moderação esteve a cargo de Graça Guedes, Professora Catedrática Aposentada da Universidade do Porto.
A Sessão de Encerramento teve a presença do Senhor Secretário das Comunidades Portuguesas, Mestre José Luís Carneiro
11. Lançamento do Projeto “ Ateliês da Memória retomando uma iniciativa que a Associação Mulher Migrante encetou há já vários anos com edição de um livro no histórias de vida, no Brasil e Argentina.
A AMM apresentou este o projeto à comunidade educativa, a saber: Agrupamento de Escolas de Monção, EPRAMI (Escola Profissional do Alto Minho Interior), Universidade Sénior e à população em geral, através de um aliado - o Jornal local denominado A Terra Minhota dirigido por Francisco Alves. Houve recetividade e será um projeto que já deu alguns frutos na recolha de biografias, uma delas apresentada por uma aluna da Universidade Sénior na altura do colóquio.
12. Publicação de vários artigos, por Manuela Aguiar e Arcelina Santiago em diversos órgãos de comunicação social sobre o colóquio “Portugal / Brasil - a descoberta continua, a partir de Monção “ pondo em destaque os intervenientes e teor das suas comunicações em sinopses, como forma de motivar a população em geral - nas edições quinzenais do Jornal a Terra Minhota e no Jornal Artes Entre as Letras onde também constou um artigo elaborado pelo Presidente da Câmara de Monção.
13. Apresentação da jornalista e escritora de Adelaide Vilela, mulher da diáspora e de duas das suas obras "Olhos nas Letras" e "Magma de Afetos " por Manuela Aguiar e Arcelina Santiago
- Espinho no dia 11 de junho na Biblioteca José Marmelo e Silva e
- Monção a 22 de junho na Biblioteca Municipal de Monção
Adelaide Ramos Vilela, natural da Covilhã, vive em Montreal desde 1978. É licenciada em Comunicação e Jornalismo pela Universidade de Montreal. Escreve poesia desde os 14 anos. É escritora e jornalista e participante em vários programas de Televisão no Canadá e noutras partes do mundo. Na América Latina, ficou conhecida como "Poeta de la Luz". Tem repartido a sua atividade por várias áreas: relações humanas e artísticas, publicidade, jornalismo, fotografia e realização de uma curta metragem com guião da sua autoria. Tem recebido inúmeras distinções pela sua escrita, em prosa e verso.
É Presidente das Associações literárias pela Paz do mundo do Centro Hispano Mundial de Escritores e da Sociedade Venezuelana de Arte Internacional.
"Olhos nas Letras" e "Magma de Afetos " tratam-se de "Narrativas que inspiram, acima de tudo, dinâmicas de amor e paz, contribuindo, desta forma para a narração de um sonho de que um mundo mais justo, mais democrático e mais solidário possa crescer. Entre apontamentos de ficção, viagens e pormenores da sua vida, somos convidados a partilhar com a autora um olhar muito próprio sobre o mundo em que vivemos..."
Nelas, o papel do amor é determinante para vencer o ambiente de cinismo que aflora a humanidade. Há nelas um forte apelo à reflexão e ao desejo de continuar a lutar por um mundo melhor...
quinta-feira, 29 de janeiro de 2026
ENCONTRO COMEM0RATIVO DOS 30 ANOS DE VIDA ATIVA DA ASSOCIAÇÃO MULHER MIGRANTE
Local: Porto - Fundação Engª. António de Almeida
Data: 29 de novembro de 2025
A Associação Mulher Migrante (AMM), foi criada em 1993, cuja missão pretendeu responder às recomendações manifestadas nas grandes conclusões o 1º. Encontro de Portuguesas Migrantes no Associativismo e Jornalismo organizado em Viana do Castelo pela Secretaria de Estado da Emigração em 1985: de estudo e investigação que envolve a problemática da mulher portuguesa na nossa diáspora.
Em março de 1995, realizamos em Espinho o Encontro Mundial das Mulheres Migrantes – Gerações em Diálogo, concretizando uma das recomendações do Encontro de Viana: a realização de um Congresso de Portuguesas no Mundo e, segundo Manuela Aguiar (2009), … com a finalidade de abordar áreas temáticas, tais como a presença feminina no associativismo, na comunicação social, no trabalho, no ensino da língua, na preservação da cultura, através das segundas gerações, na preparação do regresso a Portugal.
Este Encontro, que serviu para dar a conhecer a nossa associação, constituiu um marco incontestado do nosso percurso. Estiveram cerca de 400 participantes, muitas das quais vindas dos cinco continentes e na sua grande maioria dirigentes associativos, professores, investigadores, antigos conselheiros do CCP, jornalistas, políticos, jovens das comunidades e de associações espinhenses. Muitas são associadas da AMM; algumas criaram Delegações da AMM nos países onde vivem, realizando grandes eventos científicos, muitos dos quais em articulação com as Universidades aonde pertencem, contribuindo para o alargamento da missão da AMM na diáspora portuguesa que temos implementado.
Decorridos 30 anos de vida ativa da AMM, cujo percurso muito nos honra, este Encontro pretende ser assinalado com a mesma dignidade que tem caraterizado as nossas atividades e homenageará MARIA BARROSO, que foi Presidente da Comissão de Honra dos nossos Encontros e Congressos, com presença ativa e participativa, que se associará às comemorações nacionais dos 100 anos do seu nascimento.
PROGRAMA
10 horas – ABERTURA
10,30 - HOMENAGEM A MARIA BARROSO – Maria Manuela Aguiar
11 horas - NOVO DIÁLOGO DE GERAÇÕES – PASSADO, PRESENTE E FUTURO
Moderadora: Maria da Conceição Ramos
- O Encontro de Viana (1985) – Maria Manuela Aguiar
- O Encontro de Espinho (1995) – Graça Guedes
- Os Encontros para a Cidadania (2005) e os Encontros Mundiais (2011 e 2013) – Maria Manuela Aguiar
13,00 horas - Almoço
14,30 horas - A COLEÇÃO DA AMM MULHERES ENTRE MUNDOS
Moderadora: Ivone Ferreira
. Histórias da minha Vida – Graça Guedes
. Aonde Causas e Acasos me Levaram – Maria Manuela Aguiar
. Docas de Passagem por Tantos Lugares – Maria Eduarda Fonseca
. Minha Mãe Assim Era Ela - Maria Manuela Aguiar
. Ester, Retalhos de Uma Vida – Ester de Sousa e Sá
16,00 horas - MULHERES PORTUGUESAS NO DIRIGISMO ASSOCIATIVO DA NOSSA DIÁSPORA – Graça Guedes
16,30 horas - Lançamento da MEDALHA COMEMORATIVA DOS 30 ANOS DA AMM - Maria Antónia Jardim
17 horas - Beberete
quinta-feira, 9 de outubro de 2025
ASSOCIAÇÃO MULHER MIGRANTE
30 ANOS DE VIDA ATIVA
Local: Porto - Fundação Eng. António de Almeida
Data: 29 de novembro de 2025
A Associação Mulher Migrante (AMM), foi criada em 1993, cuja missão pretendeu responder às recomendações manifestadas nas grandes conclusões o 1º. Encontro de Portuguesas Migrantes no Associativismo e Jornalismo organizado em Viana do Castelo pela Secretaria de Estado da Emigração em 1985: de estudo e investigação que envolve a problemática da mulher portuguesa na nossa diáspora.
Em março de 1995, realizamos em Espinho o Encontro Mundial das Mulheres Migrantes – Gerações em Diálogo, concretizando uma das recomendações do Encontro de Viana: a realização de um Congresso de Portuguesas no Mundo e, segundo Manuela Aguiar (2009), … com a finalidade de abordar áreas temáticas, tais como a presença feminina no associativismo, na comunicação social, no trabalho, no ensino da língua, na preservação da cultura, através das segundas gerações, na preparação do regresso a Portugal.
Este Encontro, que serviu para dar a conhecer a nossa associação, constituiu um marco incontestado do nosso percurso. Estiveram cerca de 400 participantes, muitas das quais vindas dos cinco continentes e na sua grande maioria dirigentes associativos, professores, investigadores, antigos conselheiros do CCP, jornalistas, políticos, jovens das comunidades e de associações espinhenses. Muitas são associadas da AMM; algumas criaram Delegações da AMM nos países onde vivem, realizando grandes eventos científicos, muitos dos quais em articulação com as Universidades aonde pertencem, contribuindo para o alargamento da missão da AMM na diáspora portuguesa que temos implementado.
Decorridos 30 anos de vida ativa da AMM, cujo percurso muito nos honra, este Encontro pretende ser assinalado com a mesma dignidade que tem caraterizado as nossas atividades e homenageará MARIA BARROSO, que foi Presidente da Comissão de Honra dos nossos Encontros e Congressos, com presença ativa e participativa, que se associará às comemorações nacionais dos 100 anos do seu nascimento.
ASSOCIAÇÃO MULHER MIGRANTE
30 ANOS DE VIDA ATIVA
Local: Porto - Fundação Eng. António de Almeida
Data: 29 de novembro de 2025
10 horas – ABERTURA
Dr. Augusto Aguiar-Branco – Presidente da Fundação Eng. António de Almeida
Profª. Doutora Maria da Graça Sousa Guedes – Presidente da Direção da AMM
10,15 - HOMENAGEM A MARIA BARROSO – Dra. Maria Manuela Aguiar
10,30 horas – Pausa
10,45 horas - NOVO DIÁLOGO DE GERAÇÕES – PASSADO, PRESENTE E FUTURO
Moderadora: Prof. Doutora Maria da Conceição Ramos
- O Encontro de Viana (1985) / Associação Mulher Migrante – Dra. Maria Manuela Aguiar
- O Encontro de Espinho (1995) – Prof. Doutora Graça Guedes
- Os Encontros para a Cidadania (2005) e os Encontros Mundiais (2011 e 2013) – Dra. Maria Manuela Aguiar
13,00 horas - Almoço
14,30 horas - A COLEÇÃO DA AMM MULHERES ENTRE MUNDOS
Moderadora: Dra. Ivone Ferreira
. Histórias da minha Vida – Prof. Doutora Graça Guedes
. Aonde Causas e Acasos me Levaram – Dra. Maria Manuela Aguiar
. Docas de Passagem por Tantos Lugares – Eng. Ernesto Fonseca
. Minha Mãe Assim Era Ela – Dra. Maria Manuela Aguiar
. Ester, Retalhos de Uma Vida – Ester de Sousa e Sá
16,00 horas – Pausa
16,15 horas - MULHERES PORTUGUESAS NO DIRIGISMO ASSOCIATIVO DA NOSSA DIÁSPORA –
Moderadora: Dra. Nassalete Miranda
Prof. Doutora Graça Guedes e Dra. Maria de Lurdes Almeida
16,45 horas - Lançamento da JOIA COMEMORATIVA DOS 30 ANOS DA AMM – Prof. Doutora Maria Antónia Jardim
17,00 horas – Porto de honra
domingo, 14 de setembro de 2025
MINHA MÃE Assim era Ela - Apresentação de Ivone Ferreira ESPINHO 13.09.25
Sra. Presidente da Câmara Municipal de Espinho, cara Amiga Maria Manuel Cruz
Dra. Manuela Aguiar, Prof Doutora Graça Guedes e restantes presentes, minhas senhoras, meus senhores, amigos e amigas,
Boa tarde.
Bem-vindas e bem-vindos a mais esta iniciativa, lançamento de novo livro enquadrado na coleção “Mulheres entre Mundos”, da autoria de Maria Manuela Aguiar a quem agradeço, desde já, a confiança que depositou em mim para a apresentação de “Minha Mãe, assim era ela”.
Maria Manuela Aguiar tem-se revelado uma escritora de mão cheia.
E utilizo esta expressão não só para me referir ao talento na escrita, mas também porque se afirma como alguém com uma memória prodigiosa e preocupada com o legado histórico que são usos e costumes de épocas ainda muito próximas de nós, mas que serão, talvez, as mais sacrificadas, as mais esquecidas, porque a seguir a elas, chegou a tecnologia, a pressa de viver, a multidão de elevada iliteracia e a quem deixámos de “pedir contas” do seu passado.
Sei que talvez sejam polémicas estas minhas afirmações, mas socorro-me, por exemplo, de uma notícia difundida há pouco mais de uma semana, pela SIC, em que era afirmado que Portugal está em 2º lugar, entre os 30 países com o nível mais baixo de proficiência em literacia, 46% dos portugueses com idades entre os 25 e 64 anos tem muita dificuldade em interpretar textos e só consegue compreender textos muito curtos e com o mínimo de informação irrelevante.
Ora, se é este o estado em que nos encontramos, como vamos ter vontade de ler, de escrever, de guardar ou de divulgar a nossa História, as histórias da História?
É fundamental que quer a escrita, quer a leitura não se percam. É preciso resgatá-las, restaurá-las.
E este livro é uma peça fundamental para esse resgate.
Conta-nos uma história de vida, integrante da história de uma família, que, por sua vez, integra a história de um território, que integra a história de um país, que integra a História do mundo.
Como todos sabem, mas vale a pena recordar, as histórias de vida nascem nos Estados Unidos. E nascem do confronto entre os migrantes e os nacionais, anteriormente instalados. Os migrantes, ao entrarem naquele “novo mundo”, abandonavam todo o seu passado e sentiu-se que era preciso guardar sinal dessa existência antiga, tão diferente da nova.
Foi igualmente do choque de dois universos que nasceu, na Europa, a necessidade de coletar histórias de vida: por um lado, o universo tradicional, fundado num modelo repetitivo, obediente aos estereótipos e aos arquétipos. Por outro, o universo da modernidade, fundado num modelo cumulativo e de valorização da mudança.
Ambos os percursos, o americano e o europeu, tem como objetivo conservar documentos ameaçados, registar a escuta das últimas testemunhas, manter na memória as formas passadas para que o presente e o futuro façam delas uso, da melhor maneira.
As histórias de vida fazem falar “os povos do silêncio”. Os “não heróis”, as “não heroínas”. Os que não tem o seu nome na placa de uma rua, mas que a ajudaram a construir. As que não foram à guerra, mas foram as obreiras do material que deu vitórias aos guerreiros. As que não votaram, mas que, na tipografia, ajudaram a imprimir os votos.
Estas histórias de vida, sobretudo as que têm as mulheres como figura central, criam em nós a necessidade de nos interrogarmos sobre por que motivo as sociedades diferenciaram tanto homens e mulheres quer na hierarquia quer nas funções.
De tal forma o fizeram que, assim que espreitamos para os bastidores da História, encontramos logo mulheres surpreendentes que chegaram até nós através das suas histórias de vida. Mas que tiveram de se vestir de homens ou de usar nomes masculinos, para realizarem os seus percursos de vida da maneira que desejavam. A primeira, María Perez, uma castelhana que viveu no século XII, e desafiou para um duelo, que venceu, o rei de Aragão, Afonso I. Quando se descobriu que era mulher, foi batizada com o cognome de La Varona. Mais tarde, casou e abandonou a guerra... pela família.
E Joana D’Arc? E Mary Read? A aventureira inglesa que se alistou como soldado no regimento de infantaria da Flandres? E Henrietta Faber, que no princípio do século XIX se disfarçou de homem e trabalhou como “doutor” em Havana? Quando, em 1820, se apaixonou, revelou que era mulher e quis casar. Foi presa, porque em Cuba era proibido as mulheres estudarem e praticarem Medicina.
E porque não recordar também as escritoras que adotaram nomes masculinos? George Eliot, que se chamava Mary Ann Evans, ou George Sand, Amandine Aurore Lucile Dupin, baronesa de Dudevant, ou Victor Catalá, a catalã Caterina Albert i Paradís.
Porque as menciono? Porque elas são um pequeno exemplo de como meia humanidade, a parte feminina, viveu, durante milénios, uma existência frequentemente clandestina e, em grande parte, esquecida, mas sempre muito mais rica do que a forma em que estava presa, sempre acima dos preconceitos e dos estereótipos.
Porque há uma história que é preciso que fique na História e que só pode ser resgatada se lhe dermos voz, se a escrevermos e, sobretudo, se a lermos.
E agora volto à minha leitura desta história de vida que Maria Manuela Aguiar escreveu.
Uma investigação genealógica cuidadosa, meticulosa, profunda e apresentada de uma forma tão interessante que nela mergulhamos e desse mergulho não queremos sair.
Numa escrita saltitante e cheia de energias positivas, Manuela Aguiar incentiva-nos a visitar “uma elegante vivenda na rua do Paissandú, onde não faltava uma discreta águia de asas abertas na fachada”, ou a sonhar com o jovem Alfredo de quem a sua mãe dizia “Devia se um Aguiar bonito, para a minha mãe ser tão benevolente com ele...”. Claro que era. E o mistério é desvendado ao ser encontrado, e cito, “um pequeno embrulho de fotografias antigas, entre elas o seu retrato, que parece confirmar o prognóstico da sobrinha: um atraente jovem, de olhar intenso e inquieto.”
A história de vida de Mariazinha, a Sra. Dna. Maria Antónia Barbosa de Aguiar, insere-se numa viagem que Manuela Aguiar faz até ao século XVII, numa mistura riquíssima e trepidante, mas em sã convivência, com “outras vidas” que com esta se cruzam, de maridos, irmãos e cunhados, tios e primos, um bispo e até, veja-se o pormenor, um parentesco com a primeira mulher de Camilo Castelo Branco.
É muito interessante ver como se podem construir, ou percecionar, como agora está na moda dizer, várias formas de ser e de estar através da descrição da personalidade da figura central. Não resisto a ler só mais este pequeno excerto. Memória de Manuela Aguiar: “Lembro-me do meu pai, esfuziantemente divertido. Só bebia socialmente e tornava-se logo muito mais desinibido, mais despreocupado. A mãe, que vivia em estado de despreocupação permanente, comentava: “Este homem só fica normal quando bebe...”
E assim, de uma assentada percecionamos o ambiente alegre e feliz em que viveu Manuela Aguiar, o relacionamento de mãe e pai e um pouco da personalidade de cada um. Aí está mais uma razão por que me apaixonam as histórias de vida, em geral e esta em especial.
Poderia contar-vos muitas mais histórias, lendo outros extratos contidos neste livro, fazer o retrato quase fidedigno de Maria Antónia, como se a tivesse conhecido mesmo, e de muitos membros da sua família, tal é a riqueza de pormenores que Manuela Aguiar nos oferece, sobre todos os atores que colocou neste livro.
Mas, melhor do que eu, para falar com emoção e credibilidade, de alguém que conheceu pessoalmente e com quem conviveu, está ao meu lado a querida Professora Graça Guedes a quem passo a palavra, usando o título de um livro da escritora italiana Susanna Tamaro: Graça, “vai, aonde te leva o coração”.
Espinho, 13 setembro 2025
segunda-feira, 28 de julho de 2025
ORGÃOS SOCIAIS
2025/2027
LISTA A
ASSEMBLEIA GERAL
Presidente – Maria Manuela Aguiar Dias Moreira
Vice-Presidente - Victor Manuel Lopes Gil
Vice-Presidente – Manuela Marujo
Secretário – Nigel Ransley
Secretária – Natália Maria Renda Correia
DIREÇÃO
Presidente - Maria da Graça Ribeiro de Sousa Guedes
Vice-Presidente – Ivone Dias Ferreira
Vice-Presidente – Maria Aida Costa Batista
Tesoureira - Maria Aurora
Secretária – Carol Monteiro de Oliveira Marques
Vogal - Maria da Conceição Pereira Ramos
Vogal – Deolinda Adão
CONSELHO FISCAL
Presidente – Ester de Sousa e Sá
Vogal – Ilda Januário
Vogal – Maria Violante Mendes Martins
Suplente – Sarolta Erzebete Hoffer Laszlo
Suplente – Maria Joaquina Pires
NOTA:
SECRETÁRIA GERAL: Este cargo é designado pela Direção, que atribui a Maria de Lourdes Almeida.
PROFª MARIA ANTÓNIA JARDIM - Ações de Formação
DA BIBLIOTERAPIA ÀS HISTÓRIAS DE VIDA ( FOTOBIOGRAFIAS)
CONVIDADAS COMO TESTEMUNHO!
6h Sábado de manhã e tarde. ( 27 Set ou 4 Out ou 11 Out ou 29 Nov.)
Local: Biblioteca de Espinho
Inscrições: 75€ ( mínimo 10 inscritos)
10% desconto para associados
BIBLIOTERAPIA e HISTÓRIAS DE VIDA
CONTEÚDOS
I. O texto literário e os símbolos
· O texto literário e o mundo
· A hermenêutica de Paul Ricoeur e o encontro de horizontes
· Interpretação / Avaliação
· Somos contadores de histórias
· O ex: de José Saramago
II. A imaginação como pedagogia
· A imaginação como pedagogia da alteridade
· O papel do leitor
· A função das personagens
· Umberto Eco e Nelson Goodman
· Os símbolos e o Conto: A moça tecelã de Marina Colasanti
III. As Histórias de Vida e as Fotobiografias
Convidadas / Testemunho
SOBRE A FORMADORA
Maria Antónia Jardim Pós- doutorada em Arte Terapia e Doutorada em Psicologia e Ciências da Educação (Universidade do Porto). Mestre em Literaturas Clássicas Comparadas (Universidade Clássica de Lisboa). Professora Universitária, com Agregação em Psicologia da Arte; investigadora no CLEPUL. Membro da International Association of Waking Dream Therapy (Malta). Escritora e pintora, publicou diversos livros académicos, sobre Hermenêutica, Simbólica, Psicologia da Arte, Imaginativa Onírica e Novas Pedagogias. Especialista em Hermenêutica, Simbologia, Biblioterapia e Cineterapia. Professora e Formadora nas áreas de Psicologia da Arte e Psicologia Onírica.
Mulheres entre Mundos in "Defesa de Espinho"
MULHERES ENTRE MUNDOS
1 – Mulheres entre mundos é o título de uma coleção de narrativas de vida e fotobiografias que será lançada na Biblioteca Municipal José Marmelo e Silva na tarde do próximo dia 1 de fevereiro. Uma iniciativa da Associação Mulher Migrante (AMM), que, desde 2023, tem a sua sede em Espinho, e já antes, aqui fizera parte importante do seu trajeto, a começar por um primeiro encontro mundial de emigrantes portuguesas, em 1995. Por sinal, o maior que até hoje se realizou no país – e já lá vão, exatamente, trinta anos.
Há alguns meses, eu própria levei esse projeto editorial a debate na Assembleia-Geral da AMM, onde foi, sem surpresa, aprovada por consenso. Na verdade, a ideia nem era particularmente original no interior da associação, que há anos se ocupa na compilação de histórias de vidas no feminino, e tem, nesse campo, um considerável registo bibliográfico. Contudo, na maioria dos casos, não foi muito além da recolha e divulgação de pequenas sínteses biográficas, e por isso, reconfigurar o projeto, através de uma coleção, representa um salto qualitativo, com a publicação de livros individuais, testemunhos muito mais completos de feitos e vivências de mulheres na sociedade portuguesa, dentro e fora de fronteiras, na sua transição do espaço privado para o público. Como sabemos, ao longo do século XX, muitas mulheres foram, gradualmente, saindo do estreito círculo familiar, onde a ideologia da ditadura e o atraso de mentalidades e costumes tradicionalmente as confinavam, para competir, de igual para igual (embora geralmente sem armas iguais…), no plano cultural, profissional, cívico e político.
Todas elas têm coisas importantes e mobilizadoras para contar (todas, sem exceção), e é preciso que o façam. Todavia, à partida, falar de si, destacando percursos, decisões, obstáculos vencidos para a realização pessoal, no mundo da família e no mundo exterior, não é coisa fácil, em especial para as mulheres que ainda se sentem herdeiras de uma tradição de silenciamento e recato (como diz o misógino ditado popular “onde canta galo não canta galinha” …). Além disso, publicar um livro pode a muitas parecer uma meta inatingível.... Com a Coleção, o que se pretende é facilitar, muito pragmaticamente, essa tarefa. Antes de mais, sugerindo o recurso a imagens (que, segundo a sabedoria popular, valem por mil palavras…). Ou seja, optar por uma fotobiografia, em vez de uma mais custosa narração escrita. Podem começar como quem organiza um álbum, legendando as imagens, desfiando memórias, ligando ocorrências, em comentários mais ou menos extensos. Depois, a AMM oferece-lhes a inclusão numa linha editorial, com uma bela e expressiva capa concebida pelo Dr. Tiago Castro. Às autoras cabe a livre escolha da gráfica que executará o trabalho – a associação não se dedica a esse tipo de mediação, não procura oportunidades negócio ou de lucro, não cobra qualquer comissão. Assegura, sim, informações, e, através do seu Conselho Editorial, o acompanhamento do processo de elaboração do livro, e da sua divulgação, com o objetivo de revelar a vidas significantes de mulheres, com especial enfoque nas que cruzaram fronteiras, tanto geográficas como culturais. Neste campo, nunca serão demais as iniciativas, que, hoje em dia, se vão, felizmente, multiplicando, em estudos académicos, e em projetos editoriais, sinal do crescente interesse por uma literatura de natureza intimista, biográfica ou autobiográfica.
2 –A meu ver, esta é, certamente, uma as formas de combater a mais persistente das discriminações de género, a que podemos chamar "discriminação por invisibilidade", (em alguns casos, não só por mera secundarização do género, mas por deliberado apagamento da história). O estatuto das mulheres, ao menos nas ditas "democracias ocidentais" tem inegavelmente progredido, ao abrigo de Constituições e de leis baseadas no princípio da igualdade na família, no trabalho, na política, na sociedade, com uma crescente autonomia e influência, sem que, contudo, o peso do seu efetivo contributo, em todo e qualquer domínio. seja plenamente reconhecido. Foi sempre assim, e hoje é apenas um pouco menos assim... Lembramos as romancistas ou as compositoras musicais, cujas obras foram assinadas por maridos ou irmãos, ou posteriormente “esquecidas” (o caso de Maria Archer, escritora “deliberadamente apagada da história”, segundo Maria Teresa Horta, que não é caso único…), as cientistas, cujas descobertas foram atribuídas a colegas (alguns dos quais, na vez delas, até arrecadaram prémios Nobel...), as pioneiras do cinema (como realizadoras, produtoras, guionistas, técnicas, inventoras)…Um rol infinito de mulheres que se viram despojadas da autoria da sua obra, em praticamente todos os tempos , todos os setores… uma propositada e sistemática intenção de ocultação do feminino?
Um dos exemplos mais escandalosos é o da cineasta Alice Guy Laché, que "inventou" a ficção no cinema (antes meramente "documental"), o "cronofone", para a sincronização do som (na Gaumont), efeitos especiais, a colorização, para além de dirigir e produzir mais de um milhar de filmes. Algumas décadas depois, ainda no seu tempo de vida, no século passado, viu-se riscada dos registos da Gaumont e, em larga medida, da história do cinema. É um paradigma que é particularmente oportuno destacar, porque foi precisamente através de uma autobiografia, que ela próprio procurou recuperar o seu património de realizações, a autoria dos seus próprios filmes, que andava imputada a nomes masculinos.
Mulheres mais ou menos famosas, partilham, afinal, as agruras da misoginia: não só desigualdade de oportunidades (o aspeto que é mais referido)) mas, também, a desigualdade de reconhecimento no presente (por exemplo, a genérica subvalorização das profissões e tarefas predominantemente femininas...), e o risco do esquecimento no futuro, na história que se vai reescrevendo….
O projeto editorial "Mulheres entre Mundos" tem por principal finalidade combater semelhantes assimetrias, ao dar a palavra e ao pôr o foco o género sub-representado no espaço público. Existe para servir essa causa, está aberto a todas as mulheres, qualquer que seja a sua formação ou atividade, e sejam ou não associadas da AMM – para dizerem, conjugando livremente a escrita e a imagem, como chegaram aonde chegaram. É uma aposta não tanto no valor literário do relato, como no inerente interesse humano de todas as aventuras de vida, e na esperança de que cada nova edição se preste a motivar mais e mais mulheres a saírem do anonimato, a revelarem a diversidade a valia dos seus contributos à sociedade.
3 - A coleção é inaugurada com a fotobiografia da Profª Graça Guedes (“Histórias da minha vida”), e, a meu ver, como já, em várias ocasiões salientei, não poderia começar melhor. Por múltiplas razões, uma das quais é a de nos levar à intimidade de alguém que se notabilizou, primeiramente, no desporto – área em que, não só entre nós, como um pouco por todo o lado, se tem mostrado mais difícil alcançar a igualdade dos sexos, quer no dirigismo, quer no que respeita ao estatuto das desportistas. A autora possui, neste domínio, um currículo de impressionante pioneirismo no plano académico - foi a primeira mulher doutorada em ciências do desporto e professora catedrática em Portugal, depois de ter sido, como atleta e como treinadora, campeã nacional. E, ainda por cima, é uma mulher de Espinho.
Espinho, em matéria de recente participação cívica e política das mulheres, não deixa de nos surpreender. Na política está, como é sabido, muito acima da média nacional, (com paridade no Executivo, e a presidência feminina da Câmara e da Assembleia). O que talvez não seja tão notório é a importância da presença feminina a nível institucional, no voluntariado, no associativismo, no que se costumava designar por “forças vivas” da comunidade local. Há atualmente, no concelho, 22 mulheres a presidir à direção associações de todo o tipo sobretudo nas áreas da solidariedade e da cultura, e, também, da proteção dos animais (uma das minhas causas afetivas...). Confesso que, ao partir para um primeiro levantamento, por pura curiosidade, não esperava tanto. Mais uma alínea para a longa lista das perceções desfasadas da realidade, a reforçar a tendência para a menor notoriedade das mulheres nos cargos que exercem. Essas verdadeiras “mulheres entre mundos” são ainda pouco visíveis no mundo novo onde já singram...
Maria Manuela Aguiar
Subscrever:
Comentários (Atom)
